terça-feira, 4 de agosto de 2009

Persepolis


Persepolis é um achado e fico feliz em ter assistido o filme e lido os quadrinhos. A auto-biografia da espontânea iraniana Marjane Satrapi é contada com um tempero delicioso de drama e humor que nos faz viajar pelas imagens do filme ou pelos quadros da revista sem notar o tempo passar. Quem quiser um retrato mais completo e fiel, recomendo os quadrinhos, que incluem mais passagens da vida de Marjane, além de trechos que acredito que foram retirados do filme pelo peso desnecessário que ganharia na telona. A cadência, o entendimento dos conflitos e a sensação de conhecer a personagem são também experiências mais completas nos quadrinhos. Apesar disso, tenho começado a me apaixonar pelo movimento, e para mim, algumas cenas só no cinema puderam ganhar toda a beleza que lhes cabia. Tudo em preto e branco, bonito de ver, e em francês que eu adoro escutar. Se quiserem uma dica, faria diferente do que eu fiz, leria primeiro os quadrinhos e só depois assistiria ao filme, que surge aí como uma espécie de resumo vivo.

Termino a história com a sensação de conhecer mais o Irã. Um Irã diferente daquele que vemos todos os dias nos jornais, impessoal, pois agora tenho a Marjane que senti crescer através das páginas guardada comigo como uma lembrança daquele país. Persepolis é História de uma visão pessoal, não a contada nos livros, mas a contada com primazia por alguém que a viveu e segue vivendo. Foi pra mim a chance de dar liga entre acontecimentos que existiam meio soltos em minha cabeça: a origem persa do Irã, a Guerra Irã-Iraque, a queda do Mossadeg arquitetada pelos EUA, a ascensão do fundamentalismo islâmico... Me fez confirmar a noção de que as pessoas precisam viver alguma coisa para que esta lhe marque de verdade, não havendo teoria que baste e que as coisas se afastam facilmente quando estamos distantes dessa realidade. Persepolis é único por isso, é a chance de sentir vivamente o Irã e aproximar essa realidade.
Ah! E eu posso emprestar pros mais "chegados".

terça-feira, 28 de julho de 2009

Instruções de uso: lápis

“Eu escrevo com a ponta da frente, mas escrevo mais com a parte de trás, onde está a borracha”.
Juan Rulfo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

As vítimas e o resto

No Iraque a contagem dos mortos do lado iraquiano chega a 1.339.771! Apesar de muitos nessa contagem serem civis, as notícias falam mais dos pouco mais de 4.000 militares americanos mortos. Ou dos 2 militares britânicos mortos recentemente.

E nós seguimos na distância, sem cheiro de sangue pra ajudar a pensar, olhando a mídia cotar no mercado de carne algumas vidas cerca de 250 vezes mais caras a humanidade do que aquelas outras, as vidas dos restos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A gripe dos porcos

A irresponsabilidade fez que a globalização espalhasse pelo mundo um algo mais, diferente do capital. E a mídia nos faz contar uma por uma as vítimas do vírus, os países afetados, varrendo para os porões de nossas cabeças o pensamento óbvio: a origem da doença. Ela vem das criações de porcos realizadas dentro de um modelo irresponsável, insustentável, desumano e que agora revelou-se também perigoso. Mais uma faceta da busca do lucro que sobrepuja as pessoas.
Rebatizei a doença e gostei: A gripe dos porcos.

Link interessante em espanhol:
http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-128052.html

domingo, 21 de junho de 2009

Inspiração

A saudade ganhou moradia, jeito, cheiro, lábio, sorriso, 3 pintas, maciez, textura, colo, abraço, outra pinta, mais outra, mãos, gargalhada, sono, poesia e surrealidade.
Cada detalhe é um litro de ar no peito, num misterioso processo de inspirar sem boca ou nariz.

A saudade ganhou um ombro sardento.
E vem faltando espaço no peito para um detalhe que é tanto ar.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A guerra da água já começou

http://www.atarde.com.br/videos/index.jsf?id=1167407

Nos cabe transformar a falta num grande vetor de paz.

domingo, 14 de junho de 2009

Beija-me

Um título consoante com os meus desejos.
Um hífen incômodo concordando com a realidade.
E vogais dispensáveis.