domingo, 16 de agosto de 2009
Medo
Entra em alguma conta do desenvolvimento o tempo que perdemos sentindo medo nas ruas intranquilas dos países de terceiro mundo?
domingo, 9 de agosto de 2009
Educação violenta
Acredito em vocação. É aquela coisa para a qual temos um conjunto de habilidades primitivas que nos favorece, e que por termos um corpo esperto, ele se/nos satisfaz dando prazer quando agimos pra desenvolver essas características. Para reconhecer essa(s) vocação(ões) precisamos experimentá-la(s) desde cedo, enquanto crianças. Primeiro precisamos abandonar a cultura da mente sobre o resto de nossa humanidade, para que deixemos de ser mentes desconectadas do corpo (nós refere-se a minoria que têm a chance de receber o ensino minimamente considerado de qualidade atualmente). Nosso corpo não é um meio de transporte para nosso cérebro. O corpo precisa ser mais valorizado enquanto local onde nos manifestamos e desenvolvemos. As artes também devem ser valorizadas, principalmente pelo seu contato com as emoções. Em suma precisamos reequilibrar o peso das disciplinas que ensinamos para que sejamos capazes de atender tanto o chamado vocacional quanto as necessidades da sociedade organizada em torno da produção. Esse é um dos grandes desafios da educação.
Outro ponto é que hoje apesar de todo o avanço técnico que vivemos e do poder de previsibilide que a ciência nos possibilita, temos um amanhã incerto. Não sabemos o que será do mundo daqui a 5 anos. Apesar disso precisamos continuar educando as pessoas pra esse mundo desconhecido. A única saída que vejo é ensinar (e quem ensina de verdade aprende e aprimora) valores numa espécie de educação atemporal, em contraposição a criar pessoas angustiadas com um mundo que não faz sentido. Precisamos começar a ser capazes de sentir e resolver nossas contradições. E o mundo atual chega a ser esquizofrenizante com tantas contradições que apresenta. Devemos educar, como diz Paulo Freire, "para a curiosidade epistemológica". Segundo ele ainda, "[...] o exercício de pensar o tempo, de pensar a técnica, de pensar o conhecimento enquanto se conhece, de pensar o quê das coisas, o para quê, o como, o em favor de quê, de quem, o contra quê, o contra quem são exigências fundamentais de uma educação democrática à altura dos desafios do nosso tempo".
Porém o mundo do capital torna bastante árdua a tarefa de educar. O mercado exige uma educação para a produção e para o consumo acrítico. E o pior, possui fortes mecanismos de perpetuação e controle muito eficientes. Nós embarcamos nessa onda e vivemos quase exclusivamente para o mercado, cada vez com menos tempo livre. O trabalho alienado, a linha de produção, foi levado até mesmo para altos escalões do mundo científico. E em nossa busca por satisfazer os desejos suscitados pelo mercado através da publicidade abandonamos as nossas vocações em troca das profissões e habilidades mais bem remuneradas. Esse é, discrepância salarial, outro ponto forte a ser debatido. A gritante diferença de valor dado pela sociedade às profissões é uma violência que precisa ter fim. Devemos expandir essa ideia para qualquer forma de acumulação. Platão em A República já imaginva uma sociedade onde não seria permitido que ninguém acumulasse mais do que 4 vezes o que possuem cidadãos médios. Razões outras, mas ideias válidas.
Deve existir limite para a compensação pelo mérito, principalmente quando é um mérito tão sem graça quanto o criado pelo mercado. Não consigo alcançar hoje quanto a enorme quantidade de estímulos por escolhas desvinculadas da vocação, torna infeliz uma sociedade. As profissões valorizadas enchem-se de maus profissionais, organicamente infelizes, em busca de status social e econômico, enquanto profissões menos valorizadas enchem-se de profissionais com baixa-estima, vivendo em condições econômicas menos dignas. Além disso todo o ambiente compartilhado onde tecemos nossas relações torna-se obviamente insalubre, degradando as relações humanas em diversas esferas.
Bom, como não é só o salário que irá qualificar o trabalho de um ser humano, precisamos criar uma cultura de valorização do trabalho, reforçando o valor de cada atividade para a sociedade, educando os indivíduos para que percebam esse valor. Todo mundo é "aprovado" para alguma atividade e não deve se sentir menor por executá-la.
É também essencial que sejamos capazes de abrir mão da eficiência produtiva, da produção supérflua, que necessita de desejos supérfluos, que necessita de estilos de vida supérfluos, que necessita de pessoas supérfluas, em troca de tempo e energia para realizar um debate crítico a respeito de nossas responsabilidades, debate sobre as consequências do que fazemos, debates éticos necessários frente às mudanças tecnológicas, e às consequentes mudanças culturais, ambientais e sociais do mundo moderno. Ser responsável custa, mas a irresponsabilidade será ainda mais custosa. Assim, precisamos educar para a reflexão e criar as condições materiais para que exista essa reflexão. Hoje porém, não há mercado para o debate.
Sem muitos detalhes, alguns resultados dessa reforma (que pelo que foi visto deve ser maior que apenas educacional) seriam, só para citar algumas percebidas numa análise rasa, o aumento da felicidade em nossas relações, crescimento da maturidade emocional, menos custos com saúde advindos da educação física, alimentar e emocional, diminuição das desigualdades e redução da violência.
O mercado criou um sistema educacional que organiza a pilhagem de nossas mentes em busca de matéria-prima específica, abandonando todo o resto. Concluo assim, que embotar a vocação é socialmente maléfico, por atentar contra nossa felicidade de forma violenta, limitando nosso potencial enquanto humanidade e portanto deve ter fim.
Algumas fontes de onde peguei ideias emprestadas:
>Ken Robinson no TED Talks:
As escolas matam a criatividade. PARTE 1 - PARTE 2
>Patch Adams no roda viva. PARTE 1
>Livro "Software Livre, Cultura Hacker e Ecossistemas de Colaboração". Baixe gratuitamente em:
http://softwarelivre.org/livro
>A República de Platão
>Artigo "Desmercantilizar a tecnociência" retirado do livro "Conhecimento prudente para uma vida decente." Gratuito em:
http://www.ufg.br/seminario-andifes/textos/ufscar/docs/desmercantilizar.pdf
Outro ponto é que hoje apesar de todo o avanço técnico que vivemos e do poder de previsibilide que a ciência nos possibilita, temos um amanhã incerto. Não sabemos o que será do mundo daqui a 5 anos. Apesar disso precisamos continuar educando as pessoas pra esse mundo desconhecido. A única saída que vejo é ensinar (e quem ensina de verdade aprende e aprimora) valores numa espécie de educação atemporal, em contraposição a criar pessoas angustiadas com um mundo que não faz sentido. Precisamos começar a ser capazes de sentir e resolver nossas contradições. E o mundo atual chega a ser esquizofrenizante com tantas contradições que apresenta. Devemos educar, como diz Paulo Freire, "para a curiosidade epistemológica". Segundo ele ainda, "[...] o exercício de pensar o tempo, de pensar a técnica, de pensar o conhecimento enquanto se conhece, de pensar o quê das coisas, o para quê, o como, o em favor de quê, de quem, o contra quê, o contra quem são exigências fundamentais de uma educação democrática à altura dos desafios do nosso tempo".
Porém o mundo do capital torna bastante árdua a tarefa de educar. O mercado exige uma educação para a produção e para o consumo acrítico. E o pior, possui fortes mecanismos de perpetuação e controle muito eficientes. Nós embarcamos nessa onda e vivemos quase exclusivamente para o mercado, cada vez com menos tempo livre. O trabalho alienado, a linha de produção, foi levado até mesmo para altos escalões do mundo científico. E em nossa busca por satisfazer os desejos suscitados pelo mercado através da publicidade abandonamos as nossas vocações em troca das profissões e habilidades mais bem remuneradas. Esse é, discrepância salarial, outro ponto forte a ser debatido. A gritante diferença de valor dado pela sociedade às profissões é uma violência que precisa ter fim. Devemos expandir essa ideia para qualquer forma de acumulação. Platão em A República já imaginva uma sociedade onde não seria permitido que ninguém acumulasse mais do que 4 vezes o que possuem cidadãos médios. Razões outras, mas ideias válidas.
Deve existir limite para a compensação pelo mérito, principalmente quando é um mérito tão sem graça quanto o criado pelo mercado. Não consigo alcançar hoje quanto a enorme quantidade de estímulos por escolhas desvinculadas da vocação, torna infeliz uma sociedade. As profissões valorizadas enchem-se de maus profissionais, organicamente infelizes, em busca de status social e econômico, enquanto profissões menos valorizadas enchem-se de profissionais com baixa-estima, vivendo em condições econômicas menos dignas. Além disso todo o ambiente compartilhado onde tecemos nossas relações torna-se obviamente insalubre, degradando as relações humanas em diversas esferas.
Bom, como não é só o salário que irá qualificar o trabalho de um ser humano, precisamos criar uma cultura de valorização do trabalho, reforçando o valor de cada atividade para a sociedade, educando os indivíduos para que percebam esse valor. Todo mundo é "aprovado" para alguma atividade e não deve se sentir menor por executá-la.
É também essencial que sejamos capazes de abrir mão da eficiência produtiva, da produção supérflua, que necessita de desejos supérfluos, que necessita de estilos de vida supérfluos, que necessita de pessoas supérfluas, em troca de tempo e energia para realizar um debate crítico a respeito de nossas responsabilidades, debate sobre as consequências do que fazemos, debates éticos necessários frente às mudanças tecnológicas, e às consequentes mudanças culturais, ambientais e sociais do mundo moderno. Ser responsável custa, mas a irresponsabilidade será ainda mais custosa. Assim, precisamos educar para a reflexão e criar as condições materiais para que exista essa reflexão. Hoje porém, não há mercado para o debate.
Sem muitos detalhes, alguns resultados dessa reforma (que pelo que foi visto deve ser maior que apenas educacional) seriam, só para citar algumas percebidas numa análise rasa, o aumento da felicidade em nossas relações, crescimento da maturidade emocional, menos custos com saúde advindos da educação física, alimentar e emocional, diminuição das desigualdades e redução da violência.
O mercado criou um sistema educacional que organiza a pilhagem de nossas mentes em busca de matéria-prima específica, abandonando todo o resto. Concluo assim, que embotar a vocação é socialmente maléfico, por atentar contra nossa felicidade de forma violenta, limitando nosso potencial enquanto humanidade e portanto deve ter fim.
Algumas fontes de onde peguei ideias emprestadas:
>Ken Robinson no TED Talks:
As escolas matam a criatividade. PARTE 1 - PARTE 2
>Patch Adams no roda viva. PARTE 1
>Livro "Software Livre, Cultura Hacker e Ecossistemas de Colaboração". Baixe gratuitamente em:
http://softwarelivre.org/livro
>A República de Platão
>Artigo "Desmercantilizar a tecnociência" retirado do livro "Conhecimento prudente para uma vida decente." Gratuito em:
http://www.ufg.br/seminario-andifes/textos/ufscar/docs/desmercantilizar.pdf
Para ser feliz em tempos de mercado
Um valioso pensamento surgido em uma conversa diurna num hotel da Áustria.
A receita é simples:
Para e se pergunte se faria de graça, aquilo que você faz da vida para ganhar dinheiro. Se a resposta for negativa, seja gentil com você e separe um tempo para refletir.
Na forma original a constatação foi a seguinte:
Devemos ganhar dinheiro com aquilo que fariamos de graça.
A receita é simples:
Para e se pergunte se faria de graça, aquilo que você faz da vida para ganhar dinheiro. Se a resposta for negativa, seja gentil com você e separe um tempo para refletir.
Na forma original a constatação foi a seguinte:
Devemos ganhar dinheiro com aquilo que fariamos de graça.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Persepolis

Persepolis é um achado e fico feliz em ter assistido o filme e lido os quadrinhos. A auto-biografia da espontânea iraniana Marjane Satrapi é contada com um tempero delicioso de drama e humor que nos faz viajar pelas imagens do filme ou pelos quadros da revista sem notar o tempo passar. Quem quiser um retrato mais completo e fiel, recomendo os quadrinhos, que incluem mais passagens da vida de Marjane, além de trechos que acredito que foram retirados do filme pelo peso desnecessário que ganharia na telona. A cadência, o entendimento dos conflitos e a sensação de conhecer a personagem são também experiências mais completas nos quadrinhos. Apesar disso, tenho começado a me apaixonar pelo movimento, e para mim, algumas cenas só no cinema puderam ganhar toda a beleza que lhes cabia. Tudo em preto e branco, bonito de ver, e em francês que eu adoro escutar. Se quiserem uma dica, faria diferente do que eu fiz, leria primeiro os quadrinhos e só depois assistiria ao filme, que surge aí como uma espécie de resumo vivo.
Termino a história com a sensação de conhecer mais o Irã. Um Irã diferente daquele que vemos todos os dias nos jornais, impessoal, pois agora tenho a Marjane que senti crescer através das páginas guardada comigo como uma lembrança daquele país. Persepolis é História de uma visão pessoal, não a contada nos livros, mas a contada com primazia por alguém que a viveu e segue vivendo. Foi pra mim a chance de dar liga entre acontecimentos que existiam meio soltos em minha cabeça: a origem persa do Irã, a Guerra Irã-Iraque, a queda do Mossadeg arquitetada pelos EUA, a ascensão do fundamentalismo islâmico... Me fez confirmar a noção de que as pessoas precisam viver alguma coisa para que esta lhe marque de verdade, não havendo teoria que baste e que as coisas se afastam facilmente quando estamos distantes dessa realidade. Persepolis é único por isso, é a chance de sentir vivamente o Irã e aproximar essa realidade.
Ah! E eu posso emprestar pros mais "chegados".
terça-feira, 28 de julho de 2009
Instruções de uso: lápis
“Eu escrevo com a ponta da frente, mas escrevo mais com a parte de trás, onde está a borracha”.
Juan Rulfo
Juan Rulfo
quinta-feira, 23 de julho de 2009
As vítimas e o resto
No Iraque a contagem dos mortos do lado iraquiano chega a 1.339.771! Apesar de muitos nessa contagem serem civis, as notícias falam mais dos pouco mais de 4.000 militares americanos mortos. Ou dos 2 militares britânicos mortos recentemente.
E nós seguimos na distância, sem cheiro de sangue pra ajudar a pensar, olhando a mídia cotar no mercado de carne algumas vidas cerca de 250 vezes mais caras a humanidade do que aquelas outras, as vidas dos restos.
E nós seguimos na distância, sem cheiro de sangue pra ajudar a pensar, olhando a mídia cotar no mercado de carne algumas vidas cerca de 250 vezes mais caras a humanidade do que aquelas outras, as vidas dos restos.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A gripe dos porcos
A irresponsabilidade fez que a globalização espalhasse pelo mundo um algo mais, diferente do capital. E a mídia nos faz contar uma por uma as vítimas do vírus, os países afetados, varrendo para os porões de nossas cabeças o pensamento óbvio: a origem da doença. Ela vem das criações de porcos realizadas dentro de um modelo irresponsável, insustentável, desumano e que agora revelou-se também perigoso. Mais uma faceta da busca do lucro que sobrepuja as pessoas.
Rebatizei a doença e gostei: A gripe dos porcos.
Link interessante em espanhol:
http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-128052.html
Rebatizei a doença e gostei: A gripe dos porcos.
Link interessante em espanhol:
http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-128052.html
Assinar:
Postagens (Atom)
